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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Passarinhos - Anais Nin


"Devo ter-te possuído muitas vezes apenas uns minutos depois de ele o ter feito. Pedias violência. Não sabia que me estavas a pedir para superar o Robert, a tentar apagá-lo do teu corpo. Pensava que era simplesmente o frenesi do desejo. Por isso cedia. Quando fazia Amor contigo, esmagava-te os ossos, vergava-te, contorcia-te. Uma vez fiz-te sangrar.
Depois saías da minha cama, metias-te num taxi e ías ter com ele.
E dizias-me que depois de fazer amor não te lavavas, porque gostavas do cheiro que perpassava as tuas roupas, gostavas dos cheiros que te seguiam durante um dia inteiro. Quase enlouqueci quando descobri isto tudo, tive vontade de te matar."
"Conheci outros anjos sexuais.
É maravilhoso ver a mudança que se dá neles. Aqueles olhos límpidos e transparentes, aqueles corpos que compõem poses tão harmoniosas, aquelas mãos delicadas...como mudam quando o desejo se apodera deles!
Os anjos sexuais!
São maravilhosos por ser uma surpresa tão grande, uma mudança tão forte.Você por exemplo, com esse ar de quem nunca foi tocada, imagino-a a morder e a arranhar...Tenho a certeza de que até a sua voz se altera.
Já vi mudanças assim.
Há mulheres com vozes que parecem ecos poéticos de outro mundo.Depois mudam.Os olhos mudam.Acho que todas essas lendas sobre pessoas que se transformam em animais à noite - como histórias de lobisomens, por exemplo- foram inventadas por homens que viram mulheres transformarem-se à noite, deixarem de ser criaturas idealizadas e veneradas e tornarem-se animais, e pensaram que elas estavam possessas."

Passarinhos - Anais Nin

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