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domingo, 16 de agosto de 2009

Para o sexo a expirar


Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante. Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo. Amor, amor, amor - o braseiro radianteque me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo. Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,a minha se rebela ante a morte anunciada.Quero sempre invadir essa vereda estreitaonde o gozo maior me propicia a amada. Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?Enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazerantes que, deliciosa, a exploração acabe.Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,e assim possa eu partir, em plenitude o ser,de sêmen aljofrando o irreparável ermo.

Carlos Drummond de Andrade

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